Freios

por Cleber Ricci Anderson - guia "Bike na Rua"


     Antes de qualquer ajuste, os cabos e conduítes devem estar limpos e lubrificados. Os conduítes devem ser cortados no menor tamanho possível, ou seja, devem permitir que a direção gire livremente e que o cabo deslize com facilidade por dentro dos conduítes. Se os conduítes forem grandes, eles se deformarão demais, os cabos percorrerão um caminho muito maior dentro deles e a causa disto é um maior atrito, dificultando a freada. Conduítes no tamanho certo transferem a força aplicada nos manetes de forma mais direta, fazendo com que chegue até os freios com menos perda.


Como regular

     Tomaremos como exemplo os freios cantilevers (das mountain bikes e híbridas) que hoje em dia são os mais comuns e mais difíceis de regular em relação aos freios side-pull, das estradeiras, de regulagem mais simples. Quem sabe regular um cantilever, com certeza regula um side-pull.

Ajuste fino: antes de começarmos a apertar parafusos, deveremos deixar as regulagens finas com as roscas na metade do curso. Esta regulagem se localiza em parafusos vazados que estão, normalmente, logo na saída do manete (foto 1), ou na chegada do cabo ao freio nas bikes de estrada.



Em busca do padrão







Cambagem: a posição que a sapata de freio assume está relacionada com o princípio de obtermos o maior contato possível das sapatas com a parede do aro. Cada cantiveler apresenta uma pequena folga em relação ao "boss", bases dos freios, fixas no quadro ou garfo. Quando acionados, podem apresentar uma certa torção. Por isso, existe a regulagem de cambagem, que é a configuração que as sapatas assumem em relação aos aros. No momento da freiada, o aro empurra as sapatas de freio para frente. Se a sapata estiver totalmente paralela em relação ao aro, surgirá trepidação, barulho excessivo e ineficiência nos freios. Sendo assim, tente fixar a posição de cada sapata, como na figura, com uma de suas pontas encostando no aro e a outra com distante 1 mm. Tanto para a roda dianteira, como para a traseira, o formato entre as sapatas e o aro, visto por cima, é de uma flexa (foto 2).

     Para a regulagem dos freios utilizamos normalmente uma chave allen e outra fixa de 10 mm (foto 3), por tentativa e erro, ou seja, faz-se um aperto pequeno buscando o posicionamento ideal da sapata, verificando três determinações:

a) Cambagem;

b) A face de frenagem de cada sapata deve ter o maior contato possível com a parede do aro.

c) A sapata deve ficar 1mm abaixo do pneu para que não rasgue aos poucos sua lateral, mandando para o espaço seu querido pneuzinho.

     Deixe as duas sapatas idênticas. Depois de achado o ideal, aperte firme definindo a regulagem de cada sapata.



Configuração final: o ângulo formado entre o cabo do cantilever e a linha imaginária que vai do ponto em que o cabo chega no cantilever até o ponto em que a sapata encosta no aro, deve ser 90° (foto 4).

Regulagem dos cabos: depois de achada a posição onde as sapatas ficam afastadas das paredes laterais do aro cerca de 3mm, aperte a porca até que o cabo se deforme. O aperto deve ser tal que não rompa o cabo, tomando o cuidado de não espanar o parafuso. Para se ter certeza deste aperto, devemos acionar a alavanca de freio com nossa força máxima sem que o cabo corra pelo parafuso.



Pressão das molas: É o último passo. Quando não se consegue manter a mesma diferença entre as sapatas de freio direita e esquerda em relação às paredes dos aros, devemos regular a pressão das molas dos cantilevers. Cada tipo de freio tem um dispositivo, procure descobrí-lo, mantendo a mesma tensão no par de cantilevers. Atingido o ideal, trave com contra-aperto os ajustes finos da foto 1.