Compromisso básico

por Cleber Ricci Anderson - guia "Bike na Rua"


     Olhando o mundo por prioridades básicas, poderemos nos esforçar para que a vida de nossas cidades melhore em proporções satisfatórias, acompanhando o nível de conscientização da população. O projeto Bike Na Rua visa o equilíbrio do meio ambiente através da interação da população, que passará a utilizar a bicicleta como meio de transporte do dia-a-dia:


1 - A bicicleta é o meio de transporte mais eficiente para distâncias próximas aos 10 km.


2 - Uma parte considerável da população, principalmente os mais jovens, poderia passar a utilizá-la deixando seus lugares livres nos transportes coletivos para pessoas mais necessitadas e mais espaço para os automóveis que realmente tenham necessidade de percorrer distâncias maiores. O automóvel deve ser encarado como a última alternativa de transporte para o dia-a-dia. Desta forma, o trânsito melhorará porque tanto o ciclista quanto o motorista chegarão mais cedo a seu destino e o espaço preenchido nas vias públicas será menor. Um automóvel em movimento ocupa o espaço de quatro bicicletas e geralmente transporta apenas uma pessoa.


3 - A filosofia Bike na Rua aceita a cidade como ela é, por enquanto. Luta também por ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e tudo mais que ajude o retorno das bicicletas às ruas. Sabemos que construir alguma coisa neste país acaba sendo demorado porque depende do entedimento de muita gente. É neste ponto que nós temos que lutar e reivindicar. Toda entidade ou mobilização precisa de quórum, de gente, de muita gente gritando, pedindo, fazendo barulho e dizendo "Bike Na Rua". Ciclovias, se bem projetadas, serão importantes para agilizarem nossos caminhos.


4 - O melhor caminho para as bicicletas são as ruas mais tranquilas, ou seja, estaremos nos educando pedalando dentro dos bairros, evitando assim as avenidas e cruzando-as apenas quando necessário. Aos poucos, naturalmente, os caminhos estarão se definindo no interior dos bairros. Nas ruas mais tranquilas temos mais segurança já que, por lei, a velocidade máxima para os automóveis deve ser de 40 km/k. Reivindicaremos o controle desta velocidade máxima. Pedalaremos pelo canto direito, deixando nosso lado esquerdo para que os carros nos ultrapassem com cautela. Respeitaremos para sermos respeitados, conseguindo aos poucos nossa autonomia e o entendimento de nossas atitudes no trânsito.


5 - A sociedade como um todo adaptar-se-á a esta transformação, reinvindicando:

a) locais adequados para o estacionamento de bicicletas nas empresas, escolas, edifícios, bancos, repartições públicas, fast-foods, etc, bem como nas estações de metrô e ônibus, não necessariamente mantidos pelas prefeituras. Os estacionamentos atuais para carros, poderiam transformar parte de seu espaço em bicicletários. Um carro estacionado ocupa o espaço de 18 bicicletas estacionadas de forma racional e econômica.
b) banheiros e vestiários à disposição do ciclista para que ele possa fazer sua higiene pessoal após a pedalada.


6 - Financeiramente, podemos citar alguns itens econômicos para a população, já que o homem civilizado normalmente sensibiliza-se bastante quando mexemos em seu bolso. Deixar o carro em casa resulta em beneficíos para a Comunidade:

a) menor gasto geral com o automóvel (combustível, manutenção, impostos, seguro, lavagem, pneus, câmaras, reparos de lataria, etc.).
b) maior preço de revenda, porque ficará mais conservado e com a aparência de novo.
c) trânsito mais leve, menor gasto com obras de manutenção asfáltica, incidindo no IPTU.
d) melhores condições do ar e menor probabilidade de acidentes, acarretando em um menor gasto com a saúde.
e) economia mensal, melhoria no orçamento familiar.